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MUSEU DO MEIO AMBIENTE, JARDIM BOTÂNICO, Rio de Janeiro, 2010

 

Arquitetura

Edson Mahfuz

Ana Paula Alcantara Gomes

 

Estrutura

Paulo Stumm

 

Estagiários

Gabriel Johansson Azeredo

Matheus Benincá

 

O concurso propõe a inserção de novos edifícios em um entorno que já possui grande qualidade ambiental. Não apenas o Arboreto apresenta essa qualidade: a própria área de intervenção tem grande qualidade arquitetônica e natural. A presente proposta tem o objetivo de completar esse entorno qualificado com edifícios que pretendem resolver as necessidades do programa de modo discreto e integrado. Desse modo, o pequeno edifício do Auditório integra-se à praça existente sem perder as referências do espaço urbano que remete à época em que o Jardim Botânico foi criado. Da mesma forma, o Edifício da Exposição de Longa Duração foi concebido como um volume bastante neutro, ligado ao edifício histórico por uma passagem quase transparente, que valoriza a edificação existente, emoldurando-a e destacando-a para o visitante.

A organização e uso do Edifício Histórico foram mantidas como estão no momento. Apenas foram introduzidas pequenas modificações para permitir a sua integração com as ampliações, tais como alteração nas aberturas onde se dá a conexão com o Edifício da Exposição de Longa Duração e a criação de um novo meio de acesso ao café na parte posterior do EH, possibilitando sua integração com o novo Terraço.

Características formais das edificações

As características básicas das novas edificações são a discrição da forma e a valorização do entorno existente.

Edifício da Exposição de Longa Duração

É constituído por três partes claramente identificáveis: o bloco principal de exposições, de forma retangular, o bloco de serviços, outro retângulo em planta, e a conexão com o Edifício Histórico, configurada como um trapézio. O edifício está assentado sobre um “tapete” pavimentado que define as áreas para atividades externas.

Auditório

A forma do edifício que abriga o Salão Multifuncional e os Escritórios resulta da sobreposição de dois quadrados sendo cada planta caracterizada por um espaço principal de forma quadrada circundado por um “L” onde se situam os apoios e serviços.

Distribuição do programa

Edifício da Exposição de Longa Duração

O pavimento térreo é inteiramente dedicado às funções de acolhimento e orientação dos visitantes. É por esse espaço que se dará o acesso principal ao museu como um todo. Nesse salão envidraçado encontra-se a bilheteria, loja, meios de acesso aos demais pavimentos e ao Edifício Histórico, sanitários e guarda-volumes.

Os dois pavimentos superiores e o subsolo são dedicados à exposições podendo, pela sua configuração, receber os mais diversos layouts de sistemas expositivos.

Este edifício está assentado sobre uma superfície modular (5x5m) que envolve o seu pavimento térreo e a conexão com o EH, sendo contínua em relação ao seu interior. Essa superfície serve como área de acolhimento, área para lanches, extensão do café e terraço para eventos (sob a conexão há uma copa de apoio com acesso a ambos terraços).

Auditório:

No pavimento térreo situa-se o Auditório/Salão Multifuncional, que se abre para a Praça e para o Arboreto. Nos lados sul e leste estão os sanitários, copa, depósito e o acesso independente aos escritórios.

No pavimento superior a disposição é análoga, com os escritórios sobre o salão, circundados pelos seus apoios. O espaço de trabalho pode ser subdividido ou usado como área única (escritório paisagem).

No subsolo situam-se os equipamentos de condicionamento de ar.

Estrutura e construção

Edifício da Exposição de Longa Duração

O bloco principal eleva-se sobre o chão, apoiando-se em apenas quatro pilares. A estrutura que permite essa configuração é um par de vigas treliçadas longitudinais com 10,5m de altura e 35m de comprimento, permitindo um vão central de 15m e balanços de 5m nos dois extremos. Seus apoios são quatro pilares verticais de concreto in loco e quatro inclinados a modo de mãos francesas. As lajes são constituídas por painéis treliçados com enchimento.

As fachadas mais longas são do tipo composto e ventilado, propiciando proteção contra os fatores externos. Elas são compostas por: camada exterior de chapas de aço com soldas de aço em todas as juntas, camada de ar ventilado, isolamento térmico, dutos e painel regulador acústico interno.

As fachadas menores se abrem para vistas do jardim em frente à residência Pacheco Leão e do Arboreto. Também são constituídas por camadas: a primeira é um caixilho de alumínio com vidros duplos e partes móveis junto ao piso e ao teto para ingresso de ar fresco e exaustão do ar quente. A segunda é um quebra-sol composto por perfis “C” de alumínio esmaltado e perfurado.

O subsolo é formado por uma cortina de concreto e laje composta por painéis treliçados com enchimento.

O bloco de serviços apresenta estrutura convencional de perfis metálicos, lajes mistas (painéis treliçados + enchimento) paredes de bloco de cimento impermeabilizadas e revestimento de painéis metálicos galvanizados aparafusados a uma estrutura de montantes de alumínio.

O bloco de conexão com o Edifício Histórico tem uma base de concreto armado sobre a qual se dispõem estruturas metálicas que funcionam também como caixilhos. A cobertura de concreto se apóia sobre uma grelha de perfis de aço a partir da qual está suspensa a passarela que une os pisos supeiores do edifício existente e da ampliação.

Auditório

Estrutura convencional de concreto armado (pilares e vigas) com lajes mistas (painéis treliçados + enchimento). Fechamento com paredes multi-camada: blocos de cimento + isolamento térmico + painéis de gesso. Externamente o edifício será rebocado para melhor integração com os demais edifícios existentes ao redor da praça. Compartimentação interna: paredes de gesso acartonado e divisórias leves de madeira.

A cobertura deste edifício será de grama colocada sobre laje impermeabilizada.

Paisagismo

As intenções de projeto referentes ao paisagismo são análogas às que regem o projeto das edificações: reforçar a estrutura existente, melhorando e adequando algumas áreas para melhor aproveitamento à nova situação decorrente das novas construções.

Principais elementos do paisagismo proposto, descritos no sentido da entrada para a praça:

1. Área de terraços em volta do Edifício da Exposição de Longa Duração;

2. Modificação dos canteiros alinhados com o Edifício Histórico para permitir, por meio da abertura de uma perspectiva, melhor acesso à sua ampliação;

3. Criação de novos canteiros em frente do Edifício Histórico visando controlar a dimensão excessiva daquele setor;

4. Criação de novos canteiros sobre o traçado do jardim histórico da Res. Pacheco Leão. Esses canteiros terão bordas em granito. O canteiro central foi transformado em um espelho d’água a ser ocupado por plantas aquáticas;

5. Ativação da fonte existente e ampliação da área de água do canteiro circular;

6. Criação de um novo canteiro ao lado da Res. Pacheco Leão, eliminando o estacionamento ali existente hoje;

7. Bloqueio do acesso de carros entre os canteiros na altura da Res. Pacheco Leão por meio de vegetação e mobiliário urbano;

8. Distribuição de mobiliário urbano – bancos, postes de luz e lixeiras – por toda a área de intervenção, com o propósito de qualificar e equipar o seu uso como jardim público;

9. Plantação de árvores de grande porte para melhor definir as bordas dos espaços, como é o caso em frente ao Edifício Histórico, nos dois canteiros maiores no jardim histórico, e no canteiro mais ao norte da área de intervenção. Nesses casos, a vegetação é elemento de arquitetura, e como tal é disposta no terreno.

Conforto ambiental e Habitabilidade

No clima tropical semi-úmido, dois aspectos são fundamentais para garantir o conforto e a habitabilidade: evitar a incidência direta do sol, e garantir a circulação e renovação do ar. O primeiro problema é minimizado pelo fato de o local ser densamente arborizado, estando o terreno em sombra na maior parte do tempo. Mesmo assim, os dois edifícios apresentam sistemas de proteção solar. No Museu, as paredes longitudinais são cegas e compostas por várias camadas, sendo uma delas isolante, enquanto as fachadas transversais possuem brises de alumínio em frente aos caixilhos. No Auditório/Salão Multifuncional há painéis de correr e cortinas tipo blackout para escurecimento do interior, enquanto os escritórios são dotados de proteção fixa – cobogós – e móveis – persianas de enrolar. As coberturas dos dois edifícios – com água sobre o Museu e grama sobre o Auditório/Salão – são também fundamentais na redução das consequências da incidência solar.

A ventilação natural cruzada é proposta por meio da utilização de partes articuladas pivotantes nas esquadrias. Somando a condição de renovação do ar e a possibilidade de direcionamento do fluxo, dentro dos ambientes, está prevista a captação de ar fresco na parte inferior dos caixilhos assim como um dispositivo para exaustão do ar junto ao forro. Quebra-sóis afastados da caixilharia colaboram com esse propósito, ao controlar a radiação solar e servir como canal ascendente para a exaustão do ar quente.

Por meio dessas estratégias espera-se a redução do uso do ar condicionado mecânico, que fica reservado para os dias em que as temperaturas estiverem fora de uma faixa aceitável para o conforto higrotérmico, muito quente ou muito frio. Consequentemente, espera-se uma redução nos custos energéticos para condicionamento do ar.

Conservação de energia e sustentabilidade

Uma série de medidas foram tomadas visando reduzir o desperdício e a poluição, obter o máximo rendimento no uso de recursos naturais e preservar a natureza em todos os seus aspectos.

Água da chuva: será coletada na cobertura do Edifício da Exposição de Longa Duração e armazenada no subsolo da torre de serviços. Após tratada, servirá para a irrigação da vegetação, manutenção predial e para uso nas descargas dos vasos sanitários.

Energia solar: aproveitando a enorme quantidade de radiação solar característica da região, propõe-se o uso de painéis fotovoltaicos, instalados na cobertura da torre de serviços, para gerar grande parte da energia a ser utilizada no edifício.

Uso controlado de energia elétrica através, entre outras, da diminuição das demandas, tirando máximo proveito da iluminação natural e da ventilação cruzada.

Esgoto limpo: reciclagem das águas servidas para os mesmos usos descritos acima.

Separação de lixo.

Pisos permeáveis nas áreas externas.

 

 

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